Eu aprendi, na prática, que ele não tem o mesmo peso ou forma para todos. Em alguns contextos culturais, tempo é urgência, eficiência, agenda. Em outros, é presença, espera, escuta.

Entre essas camadas, percebemos que liderar exige mais do que clareza. Exige sensibilidade para perceber quando uma pausa comunica mais do que uma reunião, quando ouvir sustenta mais do que uma apresentação bem feita. Construir relacionamentos de longo prazo, especialmente em contextos multiculturais, depende da nossa capacidade de reconhecer o tempo do outro: seu jeito de processar, confiar, decidir.

Eu já me peguei ajustando o tom, o ritmo, a abordagem—não por insegurança, mas por respeito. Porque comunicar em ambientes diversos é menos sobre o que é dito e mais sobre o que o outro consegue ouvir.

É aí, nesse espaço de escuta e intenção, que relacionamentos consistentes nascem: aqueles que duram, mesmo quando cenários, objetivos e papéis mudam.

Estar entre culturas diferentes me ensinou a habitar a dualidade sem pressa de resolvê-la (aceitando que existem contradições e visões diferentes sobre as mesmas situações). A entender que nem todo silêncio é desconforto, e que nem toda urgência é prioridade.

Ter vivido em fronteiras culturais me deu uma habilidade que técnica nenhuma oferece: a capacidade de habitar nuances.

E talvez esse seja o maior ativo hoje, em um mundo que fala muito, corre muito, mas escuta pouco.